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Centro Histórico de Évora - detalhe

Designação

Designação

Centro Histórico de Évora

Outras Designações / Pesquisas

Núcleo urbano da cidade de Évora / Centro Histórico de Évora / Núcleo intramuros de Évora (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Évora / Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)

Endereço / Local

- -
Évora

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Ao abrigo do art.º 15.º, n.º 7, da Lei n.º 107/2001, de 8-09-2001 (por ter sido inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1986) (ver Lei)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Inscrito na Lista da UNESCO

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O núcleo primitivo da actual cidade de Évora, localizado no topo de uma larga e suave colina sobranceira à planície alentejana, era já uma povoação importante quando foi conquistada pelos Romanos. O seu nome lusitano era Eburobrittium, provavelmente relacionado com a divindade celta Eburianus. Depois de concluída a conquista romana da Península, em 60 a.C., Júlio César refunda a cidade como Liberalitas Júlia, ainda que segundo Plínio-o-Velho (História Natural), Évora tenha sido chamada igualmente de Ebora Cerealis, nome que terá mantido durante o período da República romana.
Évora adquiriu grande importância nesta época, conservando ainda muitos e importantes vestígios arquitectónicos que o testemunham, como o Templo de Diana, de finais do séc. II, vários troços da muralha primitiva, incluindo o Arco Romano de D. Isabel, e ainda as ruínas das termas, sob o edifício da Câmara Municipal. A primeira cerca de Évora data justamente do período romano, mais concretamente do século III; depois de concluída, abrangia uma área de c.10 ha e estendia-se por uma extensão de quase dois mil metros, circundando a parte mais alta da cidade, onde hoje se situa a Sé Catedral. O núcleo intramuros da cidade mantém a mesma área desde o domínio romano, o que é sem dúvida raro.
Com a nova vaga de invasões bárbaras que acabaria por desintegrar o Império Romano, Évora caiu sob o domínio visigodo, e no século IV a cidade era já sede de um bispado. São muito parcos os vestígios arqueológicos desta época, ainda que abundem lendas a ela alusivas, como a da Torre dita de Sisebuto, monarca visigótico (Torre quadrangular). O mesmo se passa com o domínio islâmico, a partir de 715 d.C. ainda que neste período Évora tenha indubitavelmente recuperado importância política e económica. É difícil adivinhar a topografia da Évora islâmica, embora deva datar de então a construção do castelo, hoje irremediavelmente transformado, a reconstrução das muralhas, e diversas alterações na malha urbana, mesmo que parte considerável da população estivesse concentrada nos arrabaldes extra-muros. Mantiveram-se pelo menos uma série de topónimos, como o bairro da Mouraria.
Évora foi tomada aos árabes por Geraldo Sem Pavor em 1166, e teve foral concedido por D. Afonso Henriques no ano seguinte. A magnífica Sé Catedral, que coroa o recorte da cidade, sucedeu a um modesto templo primitivo, e foi erguida a partir dos primeiros anos do século XIII. Tudo aponta para que a cerca medieval de Évora tenha sido levantada no reinado de D. Afonso IV. O burgo havia crescido em importância e área urbana, com novos bairros surgidos em torno do antigo centro de origem romana e islâmica. As obras foram concluídas apenas no reinado de D. Fernando, razão por que é conhecida como cerca fernandina. Esta estrutura mantém-se nas suas linhas essenciais, com troços bastante bem conservados. A cidade foi eleita por vários reis de Portugal para sede da corte, e foi sendo enriquecida com grandiosos palácios e obras públicas. Em 1551 foi fundada a universidade. No século XVII, a Guerra da Restauração obrigou à modernização das fortificações, construindo-se então alguns baluartes.
O Centro Histórico de Évora ocupa uma área de c.107 hectares, e a linha de muralhas medievais tem uma extensão de mais de 3 km, formando uma cinta que guarda uma sucessão de construções levadas a cabo no decurso de quase dois milénios de história. Os maiores monumentos destacam-se entre o casario caiado de branco, pontuado por azulejos e varandas de ferro forjado. Da Praça do Giraldo divergem as vias principais, em estrutura radial, que convivem com ruelas estreitas, becos, travessas, pequenos pátios, hortas e jardins, e desembocam em largas praças cheias de luz. Este conjunto urbano único, e conservando boa parte da sua integridade original, foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1986.
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, I.P. / 2010

Bibliografia

Título

Évora 20 Anos de Património Mundial - Um Balanço: Contributo para a Avaliação do Impacto da Classificação na Cidade, A Cidade de Évora: Boletim de Cultura da Câmara Municipal (2ª Série), nº 7, 2007, pp. 23-46

Local

Évora

Data

2007

Autor(es)

MIRANDA, Eduardo

Título

Évora: a cidade e o futuro do centro histórico, A Cidade de Évora: Boletim de Cultura da Câmara Municipal (2ª Série), nº 5, 2001, pp. 359 - 360

Local

Évora

Data

2001

Autor(es)

LOPES, Nuno, MENESES, Ruben de

Título

Preservar e Divulgar o Centro Histórico de Évora, A Cidade de Évora: Boletim de Cultura da Câmara Municipal (2ª Série), nº 5, 2001, pp. 501 - 502

Local

Évora

Data

2001

Autor(es)

BORGES, Ana Maria de Mira

Título

Portugal, Património Mundial - Objectos singulares, objectos universais

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

PEREIRA, Paulo, SANTANDREU, Roberto, NASCIMENTO, José Carlos

Título

Achados Islâmicos e Mudéjares no Centro Histórico de Évora, A Cidade de Évora: Boletim de Cultura da Câmara Municipal (2ª Série), nº 4, 2000, pp. 219 - 236

Local

Évora

Data

2000

Autor(es)

PAULO, Luís Campos