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Norte Júnior - Itinerários 1905 - 1929

Introdução

Ao longo do ano de 2014 uma série de eventos celebraram a obra de Norte Júnior, o arquiteto lisboeta que venceu o maior número de prémios Valmor até aos dias de hoje. Decorrente desse ano celebrativo, a Direção Geral do Património Cultural, através da Divisão de Inventário do Património Imóvel, Móvel e Imaterial/Departamento de Bens Culturais (DPIMI/DBC), em parceria com a Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), desenvolveu um projeto de inventário dedicado à obra de Norte Júnior, fazendo um exaustivo levantamento em todo o país.

À DGPC/DPIMI coube o inventário sistemático do legado Norte Júnior que beneficia de alguma forma de proteção legal, ou seja, que está classificado, em vias de classificação, inserido em conjuntos classificados ou abrangido, simultaneamente, em áreas de proteção de imóveis classificados. O desafio colocado foi o de conhecer a obra de Norte Júnior que beneficia de alguma forma de proteção, e propor a classificação individual de alguma da sua obra. Este inventário foi realizado com base na consulta de arquivo, fundamentalmente o da Câmara Municipal de Lisboa, de bibliografia e com a visita aos edifícios, permitindo observar o seu estado de conservação, e a manutenção ou alteração do projeto original.

 

Mapa

Critérios

O arquiteto

Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) foi um dos mais reconhecidos arquitetos do movimento eclético português. Depois de uma rápida formação em Paris na École des Beaux-Arts e no Atelier Pascal, durante o ano de 1903, regressou a Portugal para trabalhar com os arquitetos Rosendo Carvalheira (1864-1919) e Adães Bermudes (1864-1948). Depressa estabelece o seu atelier, e a primeira obra solicitada ao jovem Norte chegou por mão do pintor José Malhoa (1855-1933), que em 1904 lhe encomendou o singular e inovador projeto da sua casa-atelier na cidade de Lisboa. O arquiteto iniciava então uma extensa carreira, durante a qual ganhou cinco distinções principais e duas menções honrosas do Prémio Valmor, mantendo-se ativo até ao final da sua longa vida.

A obra

Norte Júnior é conhecido pelos espaços habitacionais que desenhou, tanto palacetes como prédios plurifamiliares, mas soube também mostrar a sua perícia enquanto projetista ao desenhar espaços de tipologia tão distinta como cinemas, escolas, armazéns, bancos, estâncias termais ou edifícios de assistência hospitalar. A todos imprimiu a faceta de arquiteto decorador pela qual é recordado, em programas decorativos de aprimorada elegância. Nas obras mais tardias, das décadas de 30 e 40, manteve o seu cunho pessoal face a um Modernismo emergente.

Atualmente, são referenciadas mais de 150 obras e projetos da sua autoria, que o evidenciam como um arquiteto exímio, revelando-se não apenas excecional no desenho do exuberante ornato que ao Ecletismo se pedia, mas também extraordinário nas soluções estruturais dos espaços que projetou, apresentando soluções construtivas atuais e funcionais. E nesta simbiose Norte Júnior foi, também, o eclético por excelência.

1905-1929

Os anos de 1905 e 1929 balizam a primeira etapa da carreira de Norte Júnior, que se pode designar como a fase eclética da sua obra, durante os quais o arquiteto desenhou os seus edifícios mais emblemáticos, por reconhecimento e dimensão.

Das 32 construções que integram este conjunto dos anos 1905-1929, destacam-se a Casa Malhoa e a moradia contígua que hoje integram a Casa Museu Anastácio Gonçalves, as vivendas da Avenida Fontes Pereira de Melo, da Praça do Saldanha e da Avenida de Berna, os palacetes que desenhou em Faro para os industriais Belmarço e Fialho, os cafés da Baixa, a escola da Voz do Operário, a Vivenda Rosalina e o Royal Cine, integrados no Bairro Estrela d’ Ouro, os armazéns dos vinhos Abel Pereira da Fonseca, em Marvila, o Palace Hotel da Curia, as Cocheiras de Santos Jorge no Estoril e o projeto dos Prédios Salreu, dois edifícios de habitação plurifamiliar geminados que projetou como conjunto uno para o Visconde de Salreu na Avenida da Liberdade e na Rua Rodrigues Sampaio, ou os três prédios na Avenida Duque d’ Ávila que definem a essência da sua obra: uma arquitetura eclética e elegante, harmonizada com os princípios do urbanismo e da higiene identificadores do espírito da Lisboa moderna de Ressano Garcia, que atualmente constituem um dos poucos núcleos originais dos edifícios das Avenidas Novas.

A partir de 1930 assiste-se a uma clivagem na obra de Norte Júnior, que abandonou os projetos de edifícios marcados por programas decorativos com elementos classicistas e de inspiração Arte Nova, afastando-se do ecletismo elegante e afrancesado que lhe era tão característico.

Este conjunto de edifícios está organizado por áreas geográficas específicas, para que o utilizador possa conhecer as obras de Norte Júnior ao passear a pé pela cidade de Lisboa. A estes juntam-se os imóveis fora da capital, nomeadamente os que se localizam na Costa do Estoril, na Região Centro e no Algarve.

Cada uma das fichas disponibiliza um mapa em pdf, que pode ser descarregado ou impresso.

Textos: Catarina Oliveira /DPIMI/DGPC/2016
Fotografias: Catarina Oliveira /DPIMI/DGPC/2016
Coordenação: Deolinda Folgado /DPIMI/DGPC/2016

Agradecimentos:
Arquivo Municipal de Lisboa
Casa-Museu Anastácio Gonçalves
Embaixada de Itália
EMEL
Hotéis Alexandre de Almeida, Lda.
Hospital de Sant’Ana - Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário