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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

Hidroeléctrica do Zêzere

Designação

Hidroeléctrica do Zêzere / Aproveitamento Hidroeléctrico do Cabril

Freguesia / Concelho / Distrito

Sertã / Sertã / Castelo Branco

Função

Indústria Energética: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto entre 1950-53 e construção em 1954

  • Barragem do Cabril / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autores: Arqº Miguel Jacobetty Rosa e Engsº Joaquim Laginha Serafim, António Ferreira da Silveira e A. C. Gerês

Se as premissas da actividade produtiva apontavam sugestões formais e plásticas à arquitectura moderna, esta, por sua vez, operou uma notável transformação nos novos equipamentos de carácter industrial, conformando cenários inéditos onde se dramatizava a nova condição do homem na natureza e na sociedade contemporânea.

Aspecto particularmente relevante na imagem formal conferida ao Aproveitamento Hidroeléctrico do Cabril, promovido pela Hidroeléctrica do Zêzere, S.A.R.L., formada em 1945 no âmbito da política de electrificação nacional, que funciona como um imenso mecanismo onde cada detalhe parece condicionado e atento a todos os outros, mantendo uma singular coerência, sobretudo, no edifício técnico da central. Trata-se, antes de mais, de um edifício técnico de definição clara e despojada, singularmente implantado a jusante da barragem — na base da sua abóbada de dupla curvatura —, que assume uma configuração racional e moderna, desde o desenho do puxador ao amplo pano da fachada, notável pela plasticidade retirada de uma quadrícula de placas de granito não polido. A sua linearidade recorta uma superfície transparente de vidro que, para além de assinalar a entrada no edifício, distingue a zona correspondente aos gabinetes, oficinas, sala de equipamentos e sala de comando, do corpo mais elevado da central, que alberga as possantes estruturas de dois grupos de geradores.

Este teor moderno e linear dá-se, no entanto, na tangência de um universo cultural, que, em aparente oposição, se consuma nos valores do lugar, da paisagem e da humanização do espaço, significativamente enunciados nas tipologias habitacionais propostas por Jacobetty Rosa. Assim, as habitações, são conscientemente integradas na morfologia do terreno, entre os muros serpenteados e os terraços talhados ao longo da encosta, privilegiando a prática construtiva dos materiais locais, sem perder, no entanto, uma definição clara e moderna ao nível da planta e volumetria geral.

Dá-se, na verdade, uma indelével fusão entre os vestígios que o lugar deixa impresso na arquitectura e a sua projecção num horizonte tocado por essa artificialidade mecânica e racional, onde se misturam sensações de estranheza e familiaridade.


Classificação

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