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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

A Nacional

Designação

A Nacional / Companhia Industrial de Portugal e Colónias

Localização

Avenida Infante D. Henrique nº255 - 255 A, Rua do Beato nº21 – 21 B

Freguesia / Concelho / Distrito

Beato / Lisboa / Lisboa

Função

Indústria Alimentar – edifícios de produção

Época

Projecto entre 1948-56 e construção entre 1949-58

  • Edifício de moagem / Foto: DE/ IPPAR

  • Edifício de moagem – pormenor / Foto: DE/ IPPAR

  • Armazém de farinhas / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autor: Arq.º José Angelo Cottinelli Telmo

Representando um momento de afirmação e desenvolvimento industrial desta centenária empresa o conjunto projectado, entre 1948-56, incorpora modelos de actualização tecnológica e concentração racional numa funcional organização do espaço. Inserido num amplo complexo industrial, edificado a partir da década de quarenta de Oitocentos que se destaca por uma enorme diversidade formal, o novo conjunto beneficia da circulação rodoviária, marítima e ferroviária indispensável a um fácil abastecimento de matérias-primas e escoamento de produtos.

Do programa inicial concebido em quarenta e oito construíram-se os edifícios de limpeza e moagem, os armazéns de farinhas e os silos (1949,1958). Projectando pela primeira vez uma unidade industrial o empreendedor arquitecto Porfírio Pardal Monteiro respeita integralmente as exigências programáticas concebendo três distintos volumes organizados um U formando pátio voltado a Leste, reserva de futuras ampliações e área preferencial de circulação entre os edifícios. Impondo-se pela sua volumetria paralelepipédica os corpos de limpeza e moagem e os armazéns de farinhas, com estruturas em betão armado, desenvolvem-se em altura obedecendo o primeiro a lógicas verticais de produção, organizadas por piso, e o segundo a funções espartanas de armazenamento. A verticalidade funcional dos silos é assumida e propagada nos outros dois corpos pela presença das miméticas lamelas em betão vibrado, indispensáveis para a manutenção da temperatura e luz no interior dos edifícios, asseverando a inalterabilidade dos produtos. De embasamento em alvenaria de pedra e caracterizado por um sóbrio léxico formal, o depuramento destes volumes utilitários é quebrado por estas lamelas de ventilação e pelos corpos de circulação que lhe conferem uma ritmada plasticidade.

Obedecendo a um programa de concentração industrial nesta modernizada área industrial o edifício de massas e bolachas (1956) irá localizar-se a Sul do primeiro conjunto. Respeitando um racional esquema de fabrico, a inserção de algumas funções sociais (refeitório) e o partido arquitectónico existente o engenheiro Pedro Pardal Monteiro (filho do arquitecto Pardal Monteiro) irá conceber um único edifício volumetricamente articulado. Decididamente marcado por três corpos horizontais é no equilíbrio alcançado entre esta cadência de blocos e a fenestração rasgada horizontalmente nos seus panos que se funde o léxico geometrizante de todo este agrupamento industrial moderno.

Este projecto dos anos 40 reporta-se à fase de modernização de uma empresa cuja data de instalação neste espaço remonta ao ano de 1836. Aquando da extinção das ordens religiosas (1833-34) o industrial João de Brito adquiriu em hasta pública o Convento do Beato António. Em terrenos fronteiros, mesmo junto ao Tejo, João de Brito desempenhava já funções de comerciante em armazéns que aí possuía. Em 1843, o industrial João de Brito instala no Convento do Beato uma moenda de cereais, acentuando-se cada vez mais o investimento na área da indústria de cereais. A importação de modelos técnicos e arquitectónicos estrangeiros são disso exemplo. A instalação do modelo de uma moagem Austrohúngara ocorreu por volta de 1881.

O facto é que este conjunto industrial encontra-se instalado numa vasta área territorial próxima de importantes vias de circulação – o rio e a linha de caminho -de- ferro do Norte, extravasando, de certo, a cerca conventual inicial, sendo um dos testemunhos do património industrial mais importantes de Lisboa. Os edifícios do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro assumem uma modernidade que a própria empresa defendeu e preconizou nas opções de política empresarial. Este registo arquitectónico incorporou à época a modernidade da indústria de transformação e tratamento de cereais.

A Companhia Industrial de Portugal e Colónias, constituída a 17 de Dezembro de 1919, foi uma das mais importantes de Portugal, senão mesmo da Península Ibérica, por volta dos anos 30-40-50. À época tinha mais de 15 fábricas, todas relacionadas com a indústria alimentar – moagens, massas alimentares, bolachas e biscoitos, produtos congéneres, malte, rações e gelo.


Deolinda Folgado/ Docomomo Ibérico
Junho 2002


Classificação

I.P.P., Decreto nº 29/84 de 25 de Junho. (A classificação abrange a igreja, o claustro, o refeitório e a escada de acesso ao piso superior. Não há referências a quaisquer elementos da actividade industrial)