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Notícias 14/02/2021

Navio holandês afundado no século XVII possivelmente identificado em Melides

No passado dia 12 de fevereiro, uma equipa do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática/DGPC, em conjunto com a Direção Regional de Cultura do Alentejo, o Munícipio de Grândola, o projeto apoiado pelo Orçamento Participativo de Portugal 2018 “Um Mergulho na História”, e em articulação com a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, a GNR, a Capitania do Porto de Sines e a Autoridade Marítima Nacional, deslocou-se de urgência à costa alentejana para avaliar um achado fortuito que o rompimento natural da barra pôs a descoberto na Lagoa de Melides.

Os trabalhos - realizados de emergência pela equipa do “Um Mergulho na História”, dada a curta janela temporal de exposição do destroço, que levou apenas dois dias a ficar novamente assoreado - permitiram o registo do sítio e colher uma amostra duma tábua de casco da embarcação. Esta amostra será fundamental para, recorrendo à dendrocronologia, método de datação da madeira através da análise dos seus anéis, validar a hipótese de que se tratam de destroços do Schoonhoven, jacht holandês que segundo registos históricos naufragou ao largo de Melides a 23 de janeiro de 1626.

O navio terá sido arrojado contra a costa, ou tentado abrigar-se em Melides numa última manobra desesperada. De facto, informação histórica disponível, incluindo estampas publicadas em obras desta época, mostram que existia um estuário onde hoje se localiza a Lagoa, sendo pois possível a navios de porte considerável fundearem junto à Vila de Melides.

De tal dá conta a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, como cantada por Fausto Bordalo Dias:

Sonhei muitos, muitos anos por esta hora chegada
De Lisboa para a Índia vou agora de abalada
Mas em frente de Sesimbra, logo um corsário francês
Nos atirou para Melides com o barco feito em três
E por Deus e por el rei, que grande volta que eu dei