Notícias 25/07/2018
Terminaram as campanhas de escavação nos sítios paleolíticos do Baixo Minho
Terminou a campanha de escavações em sítios paleolíticos do Baixo Minho, entre a Galiza e Portugal, tendo permitido mais informações sobre alguns dos locais-chave do Paleolítico do Baixo e Médio Noroeste da Península Ibérica e sido descobertos dezenas de artefactos, como bifaces e machados de mão, com milhares de anos.
As principais intervenções deste projecto plurianual, que irá prosseguir em 2019, começaram no início de Junho em ambas as margens do Rio Minho, e foram desenvolvidas do lado português, nas localidades de Carvalhas e Bela, localizadas nos municípios de Melgaço e Monção, e do lado espanhol nos sítios de Porto Maior, em As Neves, e Gándaras de Budiño, em O Porriño, cidades da província de Pontevedra.
Na margem portuguesa do Minho, a campanha em Carvalhas complementou o estudo geomorfológico da área e permitiu escavar mais de 50 m2 de terreno, proporcionando a descoberta de novos materiais líticos e elementos que facilitam a interpretação espacial do sítio, que tem uma ocupação humana com cerca de 200.000 anos, aproximadamente. Quanto ao sítio de Bela, constitui-se como uma nova referência na indústria paleolítica acheulense nas encostas médias deste sector do rio Minho, devendo voltar a ser objecto de futuras campanhas.
Na margem espanhola, os trabalhos em Porto Maior permitiram dar a conhecer mais 20 m2 de extensão documentado deste sítio arqueológico, que tem a maior concentração utensílios de Acheulean – bifaces e fendedores (biface ao que deram um golpe oblíquo - registado até agora na Europa.
Por outro lado, as sondagens arqueológicas realizadas em As Gándaras de Budiño, sítio conhecido desde 1964, e um dos primeiros depósitos de indústria acheulense escavados na Península, forneceram uma melhor compreensão da sequência estratigráfica, podendo ser datada através de ESR (Electron Paramagnetic Resonance) e Luminescência (pIR-IR), permitindo especificar a idade deste local de referência da Pré-História na Galiza.
Estas campanhas no âmbito do projecto internacional Miño / Minho 2 (2015-2019), foram promovidas pela DGPC, por Portugal, e CENIEH (Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana) pelo lado espanhol, coordenada por João Pedro Cunha-Ribeiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, equipa constituída por investigadores das universidades de Lisboa, do Porto (Sérgio Rodrigues e Alberto Gomes), do Minho (José Meireles) e do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana de Burgos (Eduardo Mendez-Quintas, Manuel Santonja e Alfredo Pérez-González). Os trabalhos envolveram estudantes das universidades de Lisboa, Porto e Minho e outros arqueólogos espanhóis voluntários.
Conta ainda com o apoio da Xunta da Galiza e das câmaras municipais dos dois lados do Minho, Monção e Melgaço em Portugal, e As Neves e O Porriño, na Espanha.
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