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Notícias 22/09/2015

Conservação das Abóbadas do Mosteiro dos Jerónimo – Fase E1

Em 1516 João de Castilho (1490 -1581) começou a trabalhar na empreitada do Mosteiros Jerónimos. Foi responsável pela complicada tarefa da construção da cobertura da nave e do cruzeiro da Igreja, trabalho de grande perícia e complexidade terminado em 1522, que nos dá conta da sua excelência e especialização nas técnicas de abobadamento. As altas colunas exuberantemente ornamentadas, o complexo sistema de nervuras das abóbadas e o amplo espaço aberto do cruzeiro constroem uma original sensação espacial e luminosa desta única “igreja salão”, exemplar maior da arquitetura Manuelina em Portugal. 

A empreitada em curso foi precedida de um longo período de estudos e levantamentos e corresponde à FASE Exteriores 1 (E1) do Plano de Conservação e Restauro das Abóbadas da Igreja (PCRAI) a decorrer entre 2012 e 2022 no interior e no exterior do monumento. O sucesso desta intervenção de conservação depende em grande parte da reposição da estanquicidade do espaço interior da Igreja. 

Esta fase que é a primeira do Plano a ser realizada no exterior, abrange a fachada poente incluindo o átrio de entrada para o claustro, o portal axial da Igreja e a torre sineira. Trata-se de uma zona que sofreu alterações profundas a partir de 1870 com a substituição do remate da torre sineira e com a demolição da sala dos Reis cujos trabalhos de reformulação se prolongaram até 1940.  

A limpeza, a consolidação, a estabilidade estrutural, o preenchimento e o tratamento das juntas são algumas das ações previstas, à semelhança do que aconteceu nas fases precedentes. Só depois de tratadas as superfícies de pedra do exterior se poderá continuar o trabalho no interior da Igreja.

A pedra utilizada na construção da igreja é o lioz, um calcário proveniente da região da grande Lisboa que possui algumas variações cromáticas entre o rosa e o creme.

O Mosteiro dos Jerónimos (Igreja e Claustro) constitui o exemplo mais significativo da arquitetura religiosa manuelina em Portugal e foi patrocinado pelo Rei D. Manuel I tornando-se o Panteão Real da Dinastia de Avis-Beja. 

O efeito espacial e o arrojo do seu sistema construtivo fazem deste monumento, evocativo da epopeia dos descobrimentos portugueses, um dos mais singulares do seu tempo o que levou à sua inscrição, em 1983, na lista de património mundial, pela UNESCO.

O financiamento desta empreitada, que decorrerá durante cerca de 8 meses, é feito ao abrigo de um protocolo celebrado, em 2015, entre a DGPC e a WMF Portugal com fundos da Annenberg Foundation.