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Exposições Inaugura no dia 17 de outubro, às 18h30

Exposição "O Caminho do Olhar/El Camino de la Mirada", de Damià Díaz

No dia 17 de Outubro o artista espanhol Damià Díaz inaugura a exposição individual O Caminho do Olhar/El Camino de la Mirada, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, no âmbito da bienal Mostra Espanha 2019.

Com curadoria de Rosina Gómez Baeza e Lucía Ybarra, a exposição ocupa dois andares do Palácio e inclui uma selecção de esculturas de resina pintada, impressão digital em cerâmica e realidade aumentada, num diálogo feliz entre arte contemporânea e atmosfera palaciana. A interacção entre as novas tecnologias e as técnicas clássicas, e a influência da tradição renascentista e barroca do percurso do artista com o recurso a novos materiais e formas de expressão visual transforma ambientes e cria espaços oníricos que apelam à imaginação do espectador.

VIDEO PROMOCIONAL

VIDEO MAKING OF

DAMIÀ DÍAZ. O CAMINHO DO OLHAR

O Caminho do Olhar é o título da exposição que apresenta o artista espanhol, Damià Díaz, no Palácio Nacional da Ajuda, comissariada por Rosina Gómez-Baeza e Lucia Ybarra.

Filho e neto de artistas, aprendeu desde muito cedo, de forma natural, a trabalhar a gravura, o desenho, a pintura, a escultura e mais tarde o design gráfico e a cenografia, para transformar-se num artista multidisciplinar ao incluir na sua prática artística o vídeo, a instalação e as intervenções específicas.

Um conjunto de obras percorre as salas de estilo neoclássico da antiga residência utilizada pela família real portuguesa, ao longo do Século XIX, actualmente transformada em museu histórico. Um diálogo entre dois mundos, um olhar para o passado, do ponto de vista de um artista que observa constantemente a relação entre o ser humano e tudo aquilo que o rodeia. Na obra de Damià, a figura humana torna-se observadora do mundo circundante.

Uma selecção de esculturas em resina pintada, impressão digital sobre cerâmica e obras em realidade aumentada, permite ao artista intervir em espaços singulares e transformar ambientes onde o espectador pode interagir com a obra. Com as novas tecnologias o artista descobre e oferece ao espectador diferentes e originais possibilidades imersivas.

Tudo isto, juntamente com uma série de esculturas de pequeno formato, desenhos e esboços, mostram os processos criativos e a evolução do trabalho de Damià. A sua obra reflecte um interesse pelo ser humano, por indagar e explorar o mundo onde vive, numa procura constante para aprender e obter novos conhecimentos, novos valores para defender-se do isolamento presente na sociedade actual.

Damià Díaz já realizou anteriormente intervenções em espaços de importante valor histórico e de património artístico como Saint Louis de l’Hôpital Salt-Pêtrière, em Paris, em 2002; o Museu Casa de Erasmo de Roterdão, em Bruxelas, em 2012 ou a Capela da Sapiência, em Valência, em 2005. Mas, agora, o artista estabelece um diálogo entre a arte contemporânea e o património artístico, fazendo uma ligação entre a arquitectura e os trabalhos expostos. A obra de Damià é estudo e experimentação permanente, fundamental no seu processo criativo, para criar uma linguagem própria baseada em lembranças da infância e acumulação de experiências, onde são evidenciadas três constantes: tempo, pensamento e movimento.

Após intensos meses de trabalho, Damià produziu para esta exposição, incluída no marco da bienal Mostra Espanha 2019, sete esculturas e duas obras em realidade aumentada, que percorrem um total de oito salas dos dois pisos do Palácio, finalizando na sala da Capela, onde uma seleção de pequenas esculturas e desenhos mostram o processo da sua criação artística. O rico património artístico do Palácio inclui uma das melhores colecções de artes decorativas de Portugal, composta por tapeçarias, porcelanas, pinturas, esculturas, bem como mobiliário e objectos de utilização do quotidiano. Com a memória visual do edifício e da sua colecção, Damià traça um caminho com as suas obras em diálogo com a história do Palácio.

Lucia Ybarra
Cocomissária da exposição


CRIAR E VISLUMBRAR NOVOS MUNDOS

O homem é um ser social por natureza, tal como foi apontado por Aristóteles no Século de Ouro ateniense. A experiência humana foi e é motivo de representação, estudo e reflexão através dos tempos. Todas as disciplinas artísticas e científicas centram-se no ser humano, no seu lugar no cosmos, na sua relação com todas as coisas que existem, no seu diálogo com o «outro».

Damià Díaz faz parte dessa plêiade de autores que centra as suas investigações na espécie humana, seguindo o dictum do poeta inglês Alexandre Pope (1688-1744), «The proper study of mankind is man». O homem nasce mais vulnerável e menos adaptado ao seu ambiente do que qualquer outro ser vivo. Enquanto a espécie animal se identifica naturalmente e desde o nascimento com o seu habitat, no ser humano, o instinto animal dá lugar à inteligência e à razão, portadoras de incerteza, dúvida e irresolução, fruto da interação com a sociedade e as suas regras.

Nas suas obras, Damià Díaz identifica os estados dominantes do ser humano. São eles a falta de liberdade, o desenraizamento, o abandono, a desorientação, a identidade incerta… As suas obras falam-nos também da dissimulação e da mentira, essa tramoia que tão frequentemente arrastamos no nosso deambular. O peso também das convenções… a «mochila» que lastra as nossas vidas.

Procura o artista contribuir para regenerar a sociedade? Não necessariamente, mas discernirmos no seu trabalho a voz do oprimido, do humilhado. Procura a liberação pós-modernista do indivíduo? Talvez, pois percepcionamos a solidão infinita do ser perante o seu próprio destino, a sua incapacidade para estabelecer vínculos com a sociedade.

Entendo que o trabalho deste artista, a cavalo entre um classicismo de formas e o angst do homem actual, reflecte não só os desfavorecidos da terra como também a rusticidade do ser quando se torna circular e autorreferencial.

A arte talvez não consiga transformar a sociedade, mas consegue sim fornecer leituras críticas, que nos ajudam a tomar consciência de tudo aquilo que atenta contra a dignidade humana, contra o “outro”. Para Damià Díaz o «outro» é um sujeito com quem criar e vislumbrar novos mundos. Bela aspiração a sua.

Rosina Gómez-Baeza
Cocomissária da exposição


DAMIÀ DÍAZ - BIOGRAFIA

Damià Díaz é licenciado em Belas Artes pela Universidade Politécnica de Valência e pela Ecole nationale supérieure des arts visuels de La Cambre de Bruxelas, cidade onde deu os primeiros passos da sua carreira profissional.

Inicialmente a sua aproximação às artes plásticas foi através do desenho. De forma paralela, o seu interesse pela gravura calcográfica levou-o a colaborar com o atelier de Joan Romà, em Barcelona, onde trabalhou para Antoni Tapies. Já na Ecole de La Cambre de Bruxelas fez investigação nas áreas da prática transdisciplinar, vídeo, instalação e intervenção, uma iniciação na sua relação com a arquitectura e os “site specific projects”. Entre os anos 1991 e 1998 realizou exposições pela Europa: Mont de Marsans, Hamburgo, Larh, Valência e Maastricht.

Durante o período de 1995 a 2001 foi director de arte e cenografia do Festival Nits de la Mediterrània. No ano de 2002, Temps i Pensament, uma grande intervenção “site specific” na Capela do Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, marcou o início do diálogo equilibrado entre a luz e o espaço através da escultura. Este projecto foi exposto posteriormente no Museu da Universidade de Alicante (MUA). A partir desse momento, Damià explora novos materiais, alumínio, plásticos, metais soldados e resinas sintéticas, que contrastam com subtis desenhos sobre papel, que nunca abandonou.

A obra de Damià Díaz integra destacadas colecções privadas nacionais e internacionais.

Organização:
PNA/DGPC e bienal Mostra Espanha 2019
Local:
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa