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Património Cultural

Exposições Até 29 de maio de 2022

Maria Eugénia & Francisco Garcia Uma Coleção

Está patente ao público até 29 de maio 2022, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, a exposição Maria Eugénia & Francisco Garcia Uma Coleção.

Maria Eugénia e Francisco Garcia constituíram, nas décadas de 1960 e 1970, uma coleção de arte que manifesta as transformações de gosto artístico de uma burguesia cosmopolita, cada vez mais desligada dos constrangimentos do Estado Novo, embora sofresse as suas permanentes consequências. Apesar da guerra colonial, pressentia-se que o regime se esboroava e a cultura estava na primeira linha da contestação.

Era raro, na Lisboa de então, que o gosto pela pintura incidisse sobre artistas contemporâneos, trabalhando entre a abstração e a nova figuração, esteticamente atualizados e motivados por um mercado em inédita animação.

 Amigos de quase todos os artistas expostos, Maria Eugénia e Francisco Garcia eram também amigos e admiradores de José-Augusto França e procuravam os seus conselhos.
Por isso, quando se começou a pensar expor a Coleção, ele escreveu para o catálogo o seu último texto, na casa de Jarzé, quando estava à beira de completar 95 anos.
Neste território de amizades, destaca-se o convívio permanente com Fernando Lemos, o artista com mais obras na Coleção, Fernando Azevedo e Marcelino Vespeira, os expositores de 1952 na Casa Jalco na Rua do Carmo onde a aventura terá começado.
 
Raquel Henriques da Silva
As gravuras que integram esta coleção foram produzidas num tempo pioneiro para a história da gravura em Portugal, e simultaneamente muito generoso. Tal significa que houve a intenção, em particular com a fundação da Cooperativa Gravura (1956) de atingir um mercado mais amplo, novos públicos, e potenciar amplas experiências artísticas explorando a criatividade a partir das variadas técnicas da gravura contemporânea. 
Maria Eugénia e Xico Garcia (conhecido deste modo entre os amigos) tornam-se ambos sócios da Cooperativa Gravura na década de sessenta, e nessa qualidade tiveram acesso à compra e sorteio periódico de gravuras aí editadas, que constituem a base alargada da coleção, além de outras adquiridas exteriormente. E integraram o Clube Cem Cem (1966), que operava como um grupo informal de amigos, apreciadores e colecionadores onde se sorteavam obras de arte. 
Trata-se de uma coleção de exemplares muito significativos e maioritariamente de autores portugueses, constituída por cerca de setenta exemplares. Estão expostos somente vinte sete, além dos múltiplos de Edgar Pillet, Sonia Delaunay, Vasarely que se enquadram em produção seriada com características distintas. Este núcleo expositivo comporta gravuras de autores que só se encontram representados neste núcleo, obras de gravura que complementam outras de pintura do mesmo autor, e obras significativamente expressivas das diversas técnicas como a gravura em metal, litografia, xilogravura e serigrafia.
Cristina Azevedo Tavares
 
 
Organização:
MNAC/DGPC
Local:
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa