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Exposições Até 23 de janeiro

FACE À “VIDA NUA”

Estará patente até 23 de janeiro de 2021, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa a exposição Face à Vida À Nua, com a curadoria de Emília Tavares.

As repercussões da pandemia do COVID 19 são de tal modo disruptivas que nelas se antevê um novo paradigma de mundo. A arte e a filosofia têm procurado, como sempre ao longo das épocas mais trágicas da humanidade, agir e pensar sobre este momento global de medo, insegurança e desigualdade.  

Esta exposição congrega a obra de três artistas que se debruçam sobre o estado de exceção que vivemos, abrindo espaços para “o direito universal à respiração”, tal como o enunciou o filósofo Achille Mbembe, como resposta a uma visão destrutiva do mundo inspirada em discursos de contágio e imunidade.

Luciana Fina apresenta-nos um filme realizado no primeiro surto pandémico deste ano, em que se confronta com a devastação da paisagem natural por especulação imobiliária, quando a pandemia parecia trazer uma nova esperança de repensar a sistémica agressão aos ecossistemas.

João Pina fotografou durante a pandemia no Brasil os habitantes de um dos mais emblemáticos edifícios modernistas de São Paulo, o Copan (1966), do arquiteto Óscar Niemeyer, que alberga cerca de 5.000 inquilinos. Nestes microcosmos da sociedade brasileira, revela-se uma complexidade social e económica endémica, mas também o mesmo desejo global de reinventar a existência.  

Vasco Barata dedicou-se nos meses da pandemia à prática do desenho. Contido às dimensões físicas do seu espaço de trabalho, a dimensão deste processo criativo divaga sobre as formas híbridas que simbolicamente nos habitam hoje, orgânicas, mutantes, erráticas.

Os trabalhos aqui apresentados são assim um exercício de comunidade, um ato de respirar em comum, face à Vida Nua, conceito formulado por Giorgio Agamben, um dos mais polémicos filósofos da atualidade. 
 
A Vida Nua é a apropriação política da vida de cada um de nós face ao estado de exceção que vivemos, em que muitos dos direitos adquiridos que conhecemos, pelo menos em democracia, são suspensos e existe uma captura do corpo pelo exercício do poder. É um território indistinto, em que o corpo biológico e o político se fundem e em que acontece a apropriação política da vida quotidiana de cada um. Mecanismo que pode, e tem sido exercido, tanto em regimes ditatoriais como em democracias.  

O seu perigo, a sua intrínseca violência, como afirmava outro importante filósofo (Walter Benjamin) em plena ascensão desse outro estado de exceção que foi o nazismo, é que nestes estados de exceção, de que a pandemia é agora a causa, a existência fica fora do direito, tornando-se uma vida exposta, destituída (ou limitada) de direitos pelo próprio direito.

Neste momento caótico, o diálogo destes três artistas é uma forma de resiliência perante um “céu que não deixa de escurecer”.

Organização:
MNAC/DGPC
Local:
Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa