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Exposições 28/03/2015 - 28/06/2015

Exposição O Gata

Está patente até 28 de junho, na Sala de Exposições Temporárias do Museu Grão Vasco, em Viseu a Exposição O Gata – José de Almeida Furtado. Colecções do Museu Grão Vasco.

Esta mostra que integra 29 peças atribuídas ao notável pintor José de Almeida Furtado, nascido em Viseu e ativo na transição do século XVIII para o século XIX, e 12 peças da sua “escola” familiar.

Esta exposição mostra, acima de tudo, o acervo notável que o museu possui da obra do “Gata” e da sua família, no contexto da arte da pintura e da arte da miniatura em Portugal, sendo também encarada como um ato de renascimento e homenagem ao pintor e miniaturista.

Patente até 28 de junho

Autores:

José de Almeida Furtado, o Gata (1778-1831), pintor e miniaturista, nasce em Viseu, na rua Direita, e aos doze anos inicia os primeiros estudos artísticos na cidade do Porto. Em 1794 encontra-se matriculado na escola de pintura da Casa Pia de Lisboa, frequentando também a Aula Régia de Desenho e Figura, como aluno do pintor, desenhador e gravador Eleutério Manuel de Barros e do arquiteto Germano António Xavier de Magalhães.

Permanece uma década em Lisboa, onde contacta com artistas nacionais e estrangeiros e convive com defensores do modernismo ideológico, tornando-se partidário do pensamento livre, num momento de grande instabilidade política e económica, decorrente da Revolução Francesa e das posições que Portugal ia assumindo.

Por volta de 1804 regressa a Viseu e mais tarde vai para Salamanca onde, no ano de 1811, casa com Maria de Loreto Bentura Amezqueta, de quem teve oito filhos. Em Salamanca, cidade onde viveu cerca de vinte anos, foi mestre diretor da disciplina de miniatura na Escuela de Nobles y Bellas Artes de San Eloy, onde pintou vários retratos e miniaturas.

O seu percurso pessoal e artístico foi marcado pela estadia no Porto, em Lisboa e em Salamanca, mas foi em Viseu que manteve fortes laços familiares, de amizade e de trabalho e é, exatamente, no Museu Grão Vasco, que se encontra o que de mais significativo produziu na pintura religiosa, no retrato e na miniatura.

A exposição traz nova luz à produção artística de um dos mais singulares pintores do início de oitocentos, distinguido como miniaturista, a que se associam os filhos Tadeu, Maria das Dores, Francisca e Doroteia, colocando em evidência a excelente coleção que o Museu conserva.

 

 

Tadeu de Almeida Furtado, nasceu em Salamanca a 9 de Fevereiro de 1812 e morreu no Porto a 12 de Março de 1901. Filho mais velho do pintor e miniaturista José de Almeida Furtado, natural de Viseu, e de Maria do Loreto Amezqueta, natural de Salamanca, é no ambiente familiar que adquire o gosto pela pintura e desenho, tendo como mestre o próprio pai, de quem recebe ensinamentos decisivos e marcantes para a sua carreira artística. Cerca de três anos após a morte do pai (1831), e sob a protecção de amigos e familiares, desloca-se com a numerosa família para o Porto, onde se dedica ao ensino particular de desenho e pintura, tendo a importante tarefa de transmitir às irmãs mais novas o gosto pela pintura e os ensinamentos artísticos herdados do pai.

A miniatura, arte de pintar sobre pequenas placas de marfim, de natureza mais íntima, não estava confinada ao retrato como obra artística de valor universal reconhecido, mas a todo um conjunto de representações utilizadas em objetos de adorno, de uso prático ou mesmo devocional, atravessando os tempos num processo de sobrevivência e de renovação.

No Porto, além de dar aulas particulares, em 1837, Tadeu Furtado foi professor agregado de Desenho da Academia Portuense de Belas Artes e, em 1843, foi nomeado professor substituto da mesma disciplina, tomando-se professor efectivo em 1868, cargo que acumula com o de secretário do mesmo estabelecimento de ensino.

Jubilou-se no ano de 1881, sucedendo-lhe na cadeira de desenho histórico o académico de mérito Marques de Oliveira. Em 1855 integrou a Comissão permanente do Museu Portuense e em 1870 fez parte da comissão de reorganização do Ensino Artístico.

 

 

Maria das Dores de Almeida Furtado, nasceu em Salamanca a 20 de Março de 1814 e morreu no Porto a 16 de Junho de 1842. Segunda filha do pintor e miniaturista José de Almeida Furtado, natural de Viseu, e de Maria do Loreto Amezqueta, natural de Salamanca, é no ambiente familiar que adquire o gosto pela pintura e desenho, tendo como mestre o próprio pai, de quem recebe ensinamentos, e a que se juntam após a morte deste (1831), os do irmão mais velho, Tadeu de Almeida Furtado.

Ainda que tenha tido uma existência curta, uma vez que faleceu com apenas 28 anos, as referências aos seus trabalhos são elogiosas, possuindo o Museu Grão Vasco um retrato do irmão Tadeu, executado em 1837, miniatura de desenho e paleta a reflectir a influência do pai. Além do retrato, a miniatura do Rei David, assinada e datada de 1839, possui um desenho solto, de cor e transparências que remetem para os trabalhos de temas religiosos executados no mesmo período pelo irmão Tadeu.

 

 

Francisca de Almeida Furtado, nasceu em Viseu a 4 de outubro de 1826 e morreu no Porto a 12 de março de 1918, cidade para onde seguiu toda a família pouco depois da morte do pai (1831), quando esta tinha cerca de 8 anos. 

Penúltima filha do pintor e miniaturista José de Almeida Furtado, natural de Viseu, e de Maria do Loreto Amezqueta, natural de Salamanca, é no ambiente familiar que adquire o gosto pela pintura e pelo desenho, ali encontrando os ingredientes decisivos para um florescimento e excelência artística, tanto nas reminiscências do pai, como nos ensinamentos do irmão mais velho, Tadeu de Almeida Furtado, seu principal mestre.

As suas miniaturas desde cedo revelaram qualidade de execução, tornando-se rapidamente uma excelente miniaturista, como fica patente no Retrato de Rembrant, executado em 1845, quando esta tinha 18 anos, altura em que participa com trabalhos seus na exposição trienal da Academia Portuense de BelasArtes e conquista grande êxito. Augusto Roquemont, amigo do irmão Tadeu, recomenda os seus trabalhos a figuras ilustres da época, e é a própria D. Maria II que a convida a retratar alguns membros da família real, gesto de reconhecimento do seu mérito. Nos dez meses que esteve em Lisboa, além de pintar a família real, pinta Alexandre Herculano e outros nobres.

Em 1852, com 26 anos de idade, é eleita académica de mérito, juntamente com a irmã Doroteia, pela Academia Portuense de Belas Artes.

Já nos últimos anos da sua vida, pintou miniaturas de maiores dimensões. É desta fase o retrato do Conde de Samodães, que ofereceu à Academia Portuense de Belas Artes, e que hoje se encontra nas coleções do Museu Nacional de Soares dos Reis.

Participou nas Exposições Trienais da Academia Portuense Belas Artes; na Exposição Internacional do Porto que teve lugar no Palácio de Cristal em 1865, onde obteve a 1ª medalha com o seu auto-retrato; no Grémio Artístico em 1894, apresentando aguarelas, técnica que também cultivou. Em 1871 participa na Exposição de Madrid, num momento em que é considerada uma das primeiras miniaturistas a nível internacional, e aprimeira entre nós. Se as pequenas placas a celebrizaram como miniaturista, para o fim da vida utiliza placas de maior dimensão que fogem um pouco ao conceito de miniatura e se enquadra ou aproxima da pintura.

A sua brilhante e longa carreira foi interrompida devido a problemas de visão, falecendo com 91 anos de idade.

 

Doroteia de Almeida Furtado, é a filha mais nova do pintor e miniaturista José de Almeida Furtado, natural de Viseu, e de Maria do Loreto Amezqueta, natural de Salamanca, nascida em Viseu a 17 de Dezembro de 1829. Quando o pai faleceu (1831) Doroteia tinha apenas 2 anos de idade e, pouco depois, cerca de 1834, a família deixa Viseu e muda-se para o Porto. No ambiente familiar, onde subsistem as memórias artísticas do pai, desenvolve o gosto pela arte de pintar, tendo como principais mestres os irmão mais velhos, com destaque para Tadeu que na primeira fase de estadia nesta cidade se dedica ao ensino particular de desenho e pintura.

No Museu Grão Vasco existe uma miniatura que representa o retrato do irmão Tadeu, datado de 1852, peça relacionada com um retrato a óleo existente na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Acompanhou a carreira do irmão Tadeu, professor agregado de Desenho na Academia Portuense de Belas Artes desde 1837, participando com alguns trabalhos seus nas exposições Trienais da referida academia, tendo sido eleita académica de mérito, juntamente com a irmã Francisca, no ano de 1952.

Organização:
Museu Grão Vasco/DGPC
Local:
Museu Grão Vasco, Viseu