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Exposições Até 1 de março

Blood Red Luxury Exposição de fotografias de Luis Godinho

Está patente até 1 de março 2020, no Museu Nacional do Traje, a Exposição de fotografias de Luis Godinho Blood Red Luxury.

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A exposição Blood Red Luxury, de autoria do fotógrafo Luís Godinho, apresenta uma seleção de fotografias que resultam da reportagem fotográfica realizada nas Minas de Thatha, no norte de Moçambique, em 2018. As fotografias, de grande qualidade estética, retratam a vivência da comunidade de Mahera na exploração das minas de pedras semipreciosas de Ganet (Granada). Esta realidade impactante, incómoda e terrível, denuncia as condições de trabalho desumanas de homens, mulheres, adolescentes e crianças, criando um imediato envolvimento emocional.

Luís Godinho, nascido em Angra do Heroísmo em 1983 e licenciado em Engenharia e Gestão Ambiental pela Universidade dos Açores, possui já um vasto currículo como fotógrafo, principalmente dedicado à fotografia urbana e documental. É fotógrafo profissional desde 2017. O seu trabalho é reconhecido internacionalmente pelos editores de relevantes websites e revistas da especialidade, nomeadamente a National Geographic, Leica Fotografie International, Lens Culture, 500 px e 1x. Vive atualmente em Portugal, no Arquipélago dos Açores. Trabalha como fotógrafo freelancer por todo o mundo.

Prémios

2019 - Representante da Seleção Nacional de Portugal no World Photographic Cup, na categoria de Retrato.

Finalista do concurso Travel Photographer of the Year.

Menção honrosa na categoria People, Children - International Photography Awards.

Menção honrosa categoria Sports, Other - International Photography Awards.

Menção honrosa categoria People, Lifestyle - International Photography Awards.

Menção honrosa categoria People, Street Photography - International Photography Awards.

Menção honrosa categoria Editorial / Press, Contemporary Issues International Photography Awards.

 - Terceiro lugar na categoria Editorial / Press, Sports - International Photography Awards.

– Terceiro lugar categoria Sport, POY - Picture of the Year Latam.

 – Primeiro lugar categoria Documentário do prémio ASPA - Alghero Street Photography Awards.

– Câmara de Prata na categoria Reportagem/Fotojornalismo, como European Photoghrapher of the Year 2019 pela FEP - Federation of European Photographers.

- Top 15 na categoria de Storytelling (Narrativa/Histórias) da competição Malta International Photo Award.

 - Top 15 na categoria Pessoas da competição Malta International Photo Award.

2018 – Finalista do concurso Travel Photographer of the Year.

- Finalista do concurso The Independent Photographer Street Photography.

– Primeiro lugar no concurso Top 10 Black and White Photo.

– Finalista do concurso mundial da Travel Photographer Society na categoria de Fotografia Urbana.

– Representante da Seleção Nacional de Portugal no World Photographic Cup, na categoria de Fotojornalismo.

2017 – Duas fotografias finalistas, uma delas exposta na prestigiada Somerset House em Londres, por ocasião da reconhecida competição mundial Sony Photography Awards.

 – Primeiro lugar no Sony Photography Awards Portugal.

2016 / 2017 - 25 menções de excelência em categorias da competição da Leica I Shot it the Best Photo Competition.

2016 – Primeiro lugar na competição da Leica I Shot it the Best Photo Competition, na categoria Gatos.

 – Nomeado para a lista Top Excellence da Leica.

 – Capa do livro Visions, editado por 1x.

2015 – Finalista do Lens Culture Portrait Awards 2015.

2010 – Primeiro lugar no concurso Paisagens de Portugal, da revista O Mundo da Fotografia.

 

Website: https://www.luisgodinho.com/

 Instagram: https://www.instagram.com/luisgodinhophoto/

Facebook: https://www.facebook.com/luis.godinho.photo

 

A exposição Blood Red Luxury, de autoria do fotógrafo Luís Godinho, agora mostrada no Museu Nacional do Traje desperta naturalmente em todos nós um imediato envolvimento emocional com aquilo que nos é dado a ver, não só pela forte impressão das suas híper realistas imagens e da perturbação que diretamente nos provocam, mas também pela natureza crua e quase bárbara daquilo que a sua câmara capta. Apesar disso (ou também por isso), consegue transformá-las, do mesmo modo, em objetos esteticamente brutais e artística e socialmente comprometidos. Permite, a quem observa ou a quem olha para as suas criações fotográficas, não apenas a contemplação da obra em si mesma, coisa recorrente nos museus mais tradicionais, mas ainda inquietar-nos, surpreender-nos e, paradoxalmente, fascinar-nos de verdade. No fundo, é o que caracteriza (ou deve caracterizar) a natureza do objeto artístico em si mesmo.

O trabalho fotográfico de Luís Godinho tem, igualmente, o grande mérito de, não só, dar a todos nós a possibilidade de conhecer e de ver, de uma forma estética e fotograficamente muito impactante e incómoda, uma realidade terrível e muito afastada da nossa, mas também, graças ao seu empenho e através das suas imagens, denunciar e abrir caminho para que esta tenebrosa e trágica (porque é disso que se trata) situação tenha sido objeto, da parte das autoridades locais, de uma intervenção direta para lhe pôr fim (pelo menos temporariamente…).

Vivemos num tempo em que, provavelmente como em nenhum outro, na museologia e na historiografia atual, se discute a escravatura nos séculos XVII e XVIII, contra a qual verdadeiramente já nada podemos fazer. Contudo, é absolutamente indispensável e assaz mais importante, se entendermos o conceito de museu como um espaço orientado para o diálogo critico sobre o passado e o presente e como uma instituição na qual um dos muitos objetivos é contribuir para a dignidade humana e para a justiça social, revelar e expor situações e práticas nossas contemporâneas que contrariam claramente esses valores humanistas, sempre contextualizadas ou enquadradas pela missão, natureza e coleções do museu em causa.

Outra visão critica sobre o nosso quotidiano, possível de ser construída a partir das fantásticas fotografias de Luís Godinho, tem a ver com a origem e com quem e como se produz tudo aquilo que constitui os nossos hábitos de consumo, de vestir ou usar como acessório (como é agora o caso), e do que está na moda, seja ela a democraticamente massificada ou a mais exclusiva das elites sociais. Mas esta reflexão, por ser mais profunda, constante, abrangente e, sobretudo, por diariamente com ela nos confrontarmos, fica para posterior oportunidade (é muito difícil qualquer um de nós não usar, no dia a dia, pelo menos uma peça de vestuário, de calçado ou acessório cuja etiqueta made in não remeta para um país do Sudeste Asiático, do Subcontinente Indiano, da América Latina ou da África do Norte).

É, pois, meu entendimento que esta exposição, não só pela temática que aborda, mas também pela qualidade indiscutível das fotografias de Luís Godinho, nacional e internacionalmente reconhecida, faz todo o sentido no Museu Nacional do Traje, abrindo caminho a uma nova interpretação de uma parte das suas coleções, que se cruzam e dialogam com a matéria central destas imagens e, quem sabe, a um novo rumo e a uma reformulação (de conteúdos) da programação das exposições temporárias deste Museu.

José Carlos Alvarez

Diretor do Museu Nacional do Traje

 

Organização:
MNT/DGPC
Local:
Museu Nacional do Traje, Lisboa