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Exposições Até 31 de março de 2019

Arte Portuguesa. Razões e Emoções

Está patente até 31 de março, de 2019, no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, a Exposição Arte Portuguesa. Razões e Emoções.

 
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Emília Tavares, Emília Ferreira

Ala rua Serpa Pinto

A presente exposição da coleção abrange grande parte do seu arco temporal, desde meados do século XIX até à década de 80 do século XX ocupando a totalidade das galerias do Museu, da Ala da rua Serpa Pinto. Inicia com o retrato, uma temática oitocentista, raramente abordada, em diálogos geracionais de coletivos de artistas e com obras desconhecidas de Miguel Lupi, Luciano Freire, Veloso Salgado, Duarte Faria e Maia e Constantino Fernandes.

Apresentam-se afinidades e permanências entre paisagens românticas e naturalistas, embora distintas na exaltação do sentimento e tratamento da luz natural, nostálgicos simbolismos de finais do século XIX, a partir de obras significativas e de autores pouco referenciados como António Patrício e José de Brito, e destaca-se um conjunto de pinturas inéditas do Legado Veloso Salgado, recentemente incorporado.

O sentido de modernidade das primeiras décadas do século XX, expresso pelas ligações de Amadeo de Souza-Cardoso às vanguardas internacionais, especialmente as suas propostas abstracionistas, articulam-se com os movimentos de contestação de meados do século XX e os novos parâmetros de figuração de Paula Rego, nas galerias principais do Museu. Revelam-se obras raramente mostradas de Emmérico Nunes, António Soares, Abel Manta, Bernardo Marques, Mily Possoz, Jorge Barradas, Hein Semke, Jorge Oliveira e ainda as magníficas colagens de Jorge Vieira.

Esta viagem por cento e cinquenta anos de arte portuguesa permite abordagens a autores e obras raramente mostradas, contextualizando razões, entre emoções e sensibilidades artísticas. A proposta curatorial aponta para uma reflexão sobre os envolvimentos sociais e políticos, e as noções do modo de ser moderno, desde o século XIX, ao distinguir no percurso cronológico, as continuidades e mudanças, os gostos e conceitos, na mais completa coleção de arte contemporânea, a próxima e a original, justificando assim a denominação deste Museu, fundado em 1911.

(M.A.S)

Ala rua Capelo 

A afirmação do Pós Modernismo na arte portuguesa sucedeu a uma neovanguarda experienciada em período pré e pós-revolucionário, em contexto complexo e ambivalente. O abandono de algumas das linhas estéticas mais radicais, intimamente ligadas a uma utopia económica e política marxista, daria lugar à expressividade de alguns dos conceitos basilares da pós-modernidade como simulacro, autorreflexividade, alegoria, anti narrativa, indistinção entre cultura elitista e popular e uma rejeição de meta-discursos de qualquer natureza. Através de sete núcleos, Retorno à Pintura, Alegoria, Autorreflexividade e Identidade, Anti Narrativa Distopia da Arquitetura Modernista, Crítica da Paisagem e  Medium e Simulacro, reúnem-se obras da coleção do MNAC-MC, ou em depósito, que se inserem na gramática da pós-modernidade, ou que dela derivam através dos desenvolvimentos por parte de artistas de gerações mais recentes.
2018-10-11 18h30
Visita Guiada por Maria de Aires Silveira
Destaque para a apresentação de Os retratos de Adrien Demont e Virginie Demont-Breton por Veloso Salgado, que integram agora o núcleo o Poder da Imagem da exposição Razões e Emoções.  
Entrada livre 
A ligação próxima entre Veloso Salgado e os pintores Adrien Demont e Virginie Demont-Breton representa uma situação excecional de cumplicidades artísticas e amizade profunda. Veloso Salgado esteve em Wissant, perto de Calais, no Norte de França, onde o casal construíra casa e Adrien transformara a vila numa terra de artistas e numa escola de efeitos de luz e “ar-livre”. Veloso Salgado conhecera Virginie Demont-Breton, mulher de Adrien e filha do paisagista Jules Breton (1827-1906) em 1888, no seu atelier, durante a permanência em Paris como bolseiro do Estado. Recebia encomendas e a todos conquistou com a sua simpatia, segundo as memórias publicadas por Virginie.

Em 1891, pintou o Retrato de Adrien Demont (1851-1928) paisagista sensível de crepúsculos. O retrato impunha-se pelo poder da imagem, sob o efeito de uma amizade e admiração mútuas. Uma pose natural, o gosto de descrição do traje, os pincéis sobre a mesa, intensificavam a sedução do olhar meditativo de poeta-pintor, interessado na luz e tonalidades da cor, como algumas pinturas de Veloso Salgado, Noir et Rose, de 1892, e pinturas simbolistas da década de 1890.

O Retrato de Virginie Demont-Breton (1859-1935) de 1894 revelava uma lutadora, de paleta e pincéis elevados como uma deusa-caçadora. Artista de forte personalidade registava os quotidianos das famílias de pescadores, e a bravura do mar do Norte de França, com um dinamismo semelhante ao da fundação da União das mulheres pintoras e escultoras e de uma Escola aberta a mulheres artistas. A sua pintura inspirou Veloso Salgado em A flor do mar, de 1892, tanto pela temática como pela cor.

Estes retratos de artistas, poderosos em sensibilidade e qualidade técnica, destacam-se pelo seu carácter inédito. A sua expressividade e pintura tonal revelam uma observação psicológica dos retratados e a amizade que os unia, valorizando os seus perfis artísticos como fórmula visual de prestígio social e intelectual. Existe uma importante correspondência, amistosa e profissional, trocada desde 1896, em Lisboa e França, recentemente completada com as cartas de Veloso Salgado para o casal Demont. Por outro lado, a descoberta destes retratos e o envolvimento do autor com Wissant são determinantes para uma inovadora reflexão sobre as obras de Veloso Salgado e o seu percurso artístico.

M.A.S.

Organização:
MNAC/DGPC
Local:
Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado