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Apresentações/ Lançamentos Pintura

Diário das pequenas coisas | Histórias da História de uma Colecção Cinco artistas em Sintra - João Cristino da Silva (1829-1877)

Apresentada na Exposição Universal de Paris, em 1855, esta pintura situou-se no centro de uma polémica selecção de obras para este evento. Cristino (nome porque é em geral referido o pintor João Cristino da Silva) fazia parte de um júri de 22 membros, presidido pelo Conde de Farrobo, reunido em conferências ruidosas. Ouviam-se protestos dos pintores académicos, especialmente do Mestre de Pintura de História da Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, António Manuel da Fonseca, e consideravam-se contestatárias as razões dos jovens artistas com propostas inovadoras.

Tudo se precipitou quando acesas intervenções se tornaram insustentáveis, pelos insultos disparados e pela saída da sala de João Cristino da Silva, António Manuel da Fonseca, Tomás da Anunciação, Francisco Metrass, Joaquim Pedro de Sousa e Francisco Cerqueira.

19 obras mereceram aprovação e 12 foram rejeitadas, entre as quais a pintura de História, de Mestre Fonseca, Eneas salvando seu pai Anquises do incêndio de Tróia, expoente absoluto do academismo. A Exposição Universal inauguraria em Maio mas as obras portuguesas chegariam apenas em Junho, devido a estas conflituosas reuniões. 

No centro da discórdia estava a aceitação de novas propostas de pintura de paisagem tirada “do natural”, em apontamentos e cadernos gráficos, contrariando o ensino académico de pinturas de carácter histórico, mitológico e religioso, realizadas em atelier.

Estas novas propostas reflectiam, de facto, as ideias de um grupo de artistas que observava a realidade e os quotidianos e se relacionava com escritores, poetas e actores, determinado a seguir as propostas de Alexandre Herculano, que compilara Lendas e narrativas portuguesas, em 1851 e, em particular, as sugestões de Almeida Garrett, que incentivavam os artistas portugueses, ainda em 1846, no prefácio do romance Viagens na minha terra, a fazerem incursões pelo país e a registarem os costumes e tradições populares.

 

Maria de Aires Silveira

 

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Organização:
MNAC-MC/DGPC
Local:
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