Igreja de São Vicente - detalhe
Designação
Designação
Igreja de São Vicente
Outras Designações / Pesquisas
Igreja Paroquial de São Vicente / Igreja de São Vicente (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Categoria / Tipologia
Arquitectura Religiosa / Igreja
Inventário Temático
-
Localization
Divisão Administrativa
Guarda / Guarda / Guarda
Endereço / Local
Largo de São Vicente
Guarda
Proteção
Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
ZEP
-
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
-
Abrangido por outra classificação
-
World Heritage
-
General Description
Nota Histórico-Artistica
A existência da igreja de São Vicente encontra-se referenciada em vários documentos, pelo menos desde o século XIII. Contudo, este templo, de origem medieval, deveria ser de reduzidas dimensões, pelo que foi reconstruído no século XVIII, por iniciativa do então Bispo da Guarda, D. Jerónimo Rogado de Carvalhal e Silva (1720-1797). Natural desta cidade, o prelado foi Ministro do Santo Ofício e inquisidor na corte, tendo sido transferido de Portalegre para a Guarda em 1772. A igreja, reedificada no ano de 1790, conforme a lápide patente na capela baptismal, dispunha ainda de uma casa de residência, actualmente na posse de particulares.
Na esteira do ambiente definido pelo Concílio de Trento, e pelas subsequentes Constituições Sinodais, que se vivia na cidade desde o bispado de D. Nuno de Noronha e que tanto havia influenciado outras obras de carácter religioso, também a igreja de São Vicente reflecte importantes "especificidades arquitectónicas" decorrentes das referidas Constituições (PEREIRA, 1995, p. 64). Enquadra-se, neste âmbito, a edificação do templo em local afastado das casas, de forma a permitir a passagem das muitas procissões que o período barroco privilegiou.
O traçado da igreja foi da responsabilidade de António Ferreira Rodrigues, que havia estudado em Itália, e era professor de desenho na casa Pia, desde 1781 (RODRIGUES, p. 2000, p. 140). Este, optou por uma planta de nave única e capela-mor rectangulares. Na fachada, ladeada por duas torres, o portal principal é rematado por frontão interrompido e, sobre o janelão, exibem-se as armas do Bispo.
Quanto ao interior, para além do altar-mor de talha dourada, destaca-se o programa de azulejos figurativos que, de acordo com as normas conciliares, transforma os alçados da nave em "suporte de mensagens religiosas ortodoxas" (PEREIRA, 1995, p. 64). De fabrico coimbrão, este conjunto, atribuído por Santos Simões a Sousa Carvalho (SIMÕES, 1979, p. 117), reflecte a originalidade e fantasia que caracteriza os artistas de Coimbra durante o período rococó (MECO, 1985, p. 240). Uma exuberância decorativa que se manifesta, essencialmente, ao nível dos enquadramentos, muito recortados, e que neste conjunto surgem em tons de amarelo e manganês, sendo que nas zonas superiores, a folhagem é verde de cobre (SIMÕES, 1979, p. 117).
Na capela-mor são representados diversos Passos da Paixão, complementados pelos emblemas de martírio sob a janela, e o "(...) fingimento de azulejos, pintura a manganês, da porta da sacristia, muito notável" (SIMÕES, 1979, p. 117). Já a nave apresenta um programa mariano, com vários episódios da Vida da Virgem. Naturalmente, os painéis da capela baptismal, da mesma época e autor, versam a temática do Baptismo.
(Rosário Carvalho)
Bibliografia
Título
Guarda
Local
Lisboa
Data
1995
Autor(es)
PEREIRA, José Fernandes
Título
Monografia artística da Guarda
Local
Guarda
Data
1984
Autor(es)
RODRIGUES, Adriano Vasco
Título
O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3
Local
Lisboa
Data
1995
Autor(es)
PEREIRA, José Fernandes
Título
Guarda - monografia
Local
Guarda
Data
2000
Autor(es)
RODRIGUES, Adriano Vasco
