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Paços municipais de Bragança (antigos) - detalhe

Designação

Designação

Paços municipais de Bragança (antigos)

Outras Designações / Pesquisas

Antigos Paços Municipais de Bragança / Domus municipalis / Câmara Municipal de Bragança (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Paço

Inventário Temático

-

Localization

Divisão Administrativa

Bragança / Bragança / Sé, Santa Maria e Meixedo

Endereço / Local

Terreiro do Castelo
Bragança

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

World Heritage

-

General Description

Nota Histórico-Artistica

Ex-libris da cidade de Bragança, a Domus Municipalis é um dos mais insólitos monumentos tardo-românicos portugueses. A função aparentemente civil para a qual foi concebido; a sua peculiar organização em pentágono irregular; a sucessão de arcarias de volta perfeita que ritmam os alçados; o espaço interior organizado em amplo salão profusamente iluminado; ou a associação a uma cisterna, são características que conferem a este edifício um carácter único no nosso país, sem paralelos imediatos na restante arquitectura medieval nacional.
Tradicionalmente, aqui se tem localizado a antiga câmara dos habitantes de Bragança. Com efeito, foi essa a função do monumento ao longo de toda a época moderna, desde que aqui se instalou o Conselho, em 1503. O facto de se elevar sobre uma cisterna e de possuir um aspecto fortificado levou a que outros autores equacionassem uma função militar (GRAF, 1986, vol.2, p.274), em associação com o dispositivo defensivo do reinado de D. Sancho I. As visões mais recentes, todavia, apontam para uma dupla função: por um lado, a de cisterna; por outro, a de sala de reuniões da câmara (BARROCA, 2002, p.147).
A cisterna é um elemento comum aos burgos medievais, não diferindo substancialmente das existentes em castelos como os de Lamego, Pombal ou Algoso (IDEM). De apreciáveis dimensões, e com abóbada de berço assente em três arcos, não anda "muito longe das cisternas da época, construídas semi-enterradas no solo, com corpo rectangular emergindo volumetricamente acima da cota do terreno e munidas de bocas de acesso vertical para se retirar água" (IDEM).
Já a sala para reuniões do conselho é inteiramente nova entre nós, à excepção do caso de Chaves, que não chegou íntegro até aos nossos dias. O interior revela um amplo salão, profusamente iluminado por janelas, e com banco corrido a toda a volta do recinto. A fisionomia das janelas é um dos elementos mais característicos do monumento: a sucessão de arcarias ocupa horizontalmente a totalidade dos alçados; os arcos são de volta perfeita, dobrados, e repousam em impostas salientes, formando uma sensação de "unidade harmoniosa", acentuada pelo aspecto de friso das impostas (GRAF, 1986, vol.2, p.273). Exteriormente, estes arcos são sobrepujados por uma cornija com modilhões, cuja decoração segue fielmente os esquemas próprios do tardo-românico periférico que tanto caracterizam as pequenas igrejas dos séculos XIII e XIV do interior Norte.
Carlos Alberto Ferreira de Almeida apontou as particularidades desta decoração de modilhões como um argumento para a classificação gótica que propôs, a par da técnica de construção e do aparelho já siglado (ALMEIDA, 1986, p.142; BARROCA, 2002, p.147), sintoma de uma organização oficinal mais sofisticada. Por estes dados, a Domus, que durante tanto tempo foi considerada um edifício românico na viragem para o século XIII, passou a ser classificado como obra gótica já do século XIV. Neste sentido, assume-se como um dos monumentos privilegiados, em torno do qual se desenvolve a discussão acerca da transição do Românico para o Gótico. Por outras palavras, até que ponto um imóvel construído no século XIV já não é românico?
A história recente da Domus é a história de uma reinvenção arquitectónica. O edifício serviu de Câmara municipal até meados do século XIX, altura em que a ruína iminente determinou o seu abandono. Nos inícios do século seguinte, alguns investigadores chamaram a atenção para a sua importância e, já na década de 20, deu-se início ao restauro. Nessa altura, o conjunto estava bastante adulterado, com numerosas janelas entaipadas, ou substituídas por portas modernas, e eram várias as construções anexas. Sob a supervisão de Baltazar de Castro, os trabalhos privilegiaram a reversão do edifício a uma suposta pureza original, ao mesmo tempo que se destruíram os imóveis nas imediações, naquele que foi um dos mais característicos projectos de restauro da DGEMN.
PAF

Images

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed.

Local

Bragança

Data

2000

Autor(es)

ALVES, Francisco Manuel

Título

História da Arte em Portugal - o Gótico

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

A Domus Municipalis de Bragança notícia histórica

Local

Porto

Data

1941

Autor(es)

TEIXEIRA, Raúl

Título

Bragança

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

JACOB, João

Título

Em torno da «Domus Municipalis»..., Brigantia, vol.II, nº1, pp.13-32 e vol.II, nº2/3, pp.151-174

Local

Bragança

Data

1982

Autor(es)

MONTEIRO, José Rodrigues

Título

Roteiro e escorço histórico da cidade de Bragança

Local

Bragança

Data

1964

Autor(es)

FELGUEIRAS JÚNIOR, Francisco

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de