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Conjunto dos Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa - detalhe

Designação

Designação

Conjunto dos Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa

Outras Designações / Pesquisas

Núcleo de Arte Rupestre da Faia/Vale Afonsinho
Núcleo de Arte Rupestre da Faia
Núcleo de Arte Rupestre da Ribeirinha
Núcleo de Arte Rupestre da Penascosa
Núcleo de Arte Rupestre da Broeira
Núcleo de Arte Rupestre da Canada do Amendoal
Núcleo de Arte Rupestre da Canada da Moreira
Núcleo de Arte Rupestre da Fonte Frieira
Núcleo de Arte Rupestre de Meijapão
Núcleo de Arte Rupestre do Vale do Forno
Núcleo de Arte Rupestre do Vale das Namoradas
Núcleo de Arte Rupestre da Quinta da Barca
Estação arqueológica da Quinta de Santa Maria da Ervamoira
Núcleo de Arte Rupestre da Ribeira de Piscos/Quinta dos Poios
Núcleo Arqueológico de Habitat Paleolítico do Salto do Boi/Cardina
Núcleo de Arte Rupestre do Alto da Bulha
Núcleo de Arte Rupestre da Canada do Inferno/Rego da Vide
Núcleo de Arte Rupestre da Foz do Côa
Núcleo de Arte Rupestre do Vale de Cabrões
Núcleo de Arte Rupestre do Vale da Figueira/Teixugo
Núcleo de Arte Rupestre do Vale de José Esteves
Núcleo de Arte Rupestre do Vale de Moinhos
Núcleo de Arte Rupestre da Vermelhosa
Núcleo de Arte Rupestre da Quinta do Fariseu / Conjunto dos núcleos de Arte Rupestre do Vale do Côa (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Núcleo de Arte Rupestre da Faia - Vale Afonsinho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Núcleo de Arte Rupestre do Vale da Figueira - Teixugo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Núcleo de Arte Rupestre da Faia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localization

Divisão Administrativa

-

Endereço / Local

-- concelhos de Figueira de C. Rodrigo,V. N. de Foz Coa e Pinhel
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 6/2013, DR, 1.ª série, n.º 86, de 6-05-2013 (ver Decreto)
Anúncio n.º 13471/2012, DR, 2.ª série, n.º 187, de 26-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer de 5-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, favorável à proposta da DRCNorte e a que após a conclusão do procedimento de ampliação da classificação se solicite à UNESCO a redefinição da área inscrita na LPM
Proposta de 15-11-2010 da DRCNorte para redefinição de alguns núcleos classificados, clarificação dos limites de outros e ampliação da classificação, passando a abranger os oito núcleos em vias de classificaçlão
Aviso n.º 15168/2010, DR, 2.ª série, n.º 147, de 30-07-2010 (ver Aviso)
Decreto n.º 32/97, DR, I Série-B, n.º 150, de 2-07-1997 (ver Decreto)

ZEP

Decreto n.º 6/2013, DR, 1.ª série, n.º 86, de 6-05-2013 (ver Decreto)
Aviso n.º 15168/2010, DR, 2.ª série, n.º 147, de 30 de Julho de 2010 (ver Aviso)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

World Heritage

Inscrito na Lista da UNESCO

General Description

Nota Histórico-Artistica

A arte do Vale do Côa distribui-se em várias dezenas de núcleos ao longo de vinte quilómetros do curso final do rio Côa (Faia, Penascosa, Quinta da Barca, Ribeira de Piscos, Canada do Inferno), e em torno da sua confluência com o Douro (Fonte Fireira, Broeira, Foz do Côa, Vermelhosa, Vale de José Esteves, Vale de Cabrões). As representações encontram-se inscritas sobretudo nas superfícies verticais de diáclase dos xistos do Supergrupo do Douro-Beiras, nomeadamente na formação de Desejosa, que se dispõem ao longo das encostas do Côa e Douro e vales adjacentes. Exceptua-se um conjunto reduzido de representações gravadas e pintadas nos granitos hercínicos da área mais meridional deste conjunto (Faia e Ribeirinha).
Os motivos foram representados sobretudo com o recurso à gravura, realizada através de quatro modalidades distintas - incisão fina (simples ou estriada), picotagem, abrasão e raspagem - que por vezes se complementam. Devido a uma preservação diferencial, a pintura subsiste apenas em raros motivos paleolíticos abrigados sob rocha (Faia) e em motivos pós-paleolíticos.
Os motivos paleolíticos do Côa inscrevem-se no cânone da arte paleolítica europeia, caracterizada pela representação de grandes herbívoros (neste caso, cavalo, auroque, cabra e veado) em perfil absoluto, de forma naturalista, mas limitada às suas características taxonómicas elementares. Estas figuras surgem frequentemente dispostas em grandes sobreposições e apresentam características notáveis, como a representação de múltiplas cabeças, de forma a conferir movimento às representações. A figura humana é muito rara e representada de forma não naturalista (Baptista, 1999; 2009; Baptista e Gomes, 1995; Zilhão, 1997; Zilhão et al., 1997).
Dentro da arte paleolítica do Côa distinguem-se diferentes fases. A primeira, datada de mais de 18.400 (±1.600 BP) pela escavação do sítio do Fariseu (Aubry, 2009), corresponderá provavelmente a uma fase gravettense, pela atribuição estilística (Baptista e Santos, 2010) conjugada com a identificação de picos de quartzito utilizados para picotagem em níveis correspondentes do sítio da Olga Grande 4 (Aubry, 2009). Uma fase mais recente foi igualmente datada arqueologicamente no Fariseu, através da identificação de seis dezenas de placas de arte móvel em níveis datados de 11.500-12.500 cal BP (Aubry, 2009), com paralelos num importante grupo de painéis do vale (Vale de José Esteves, Foz do Côa, Penascosa). Entre estas duas fases, regista-se um conjunto de painéis que corresponderão a uma ou mais fases intermédias (Canada do Inferno, Ribeira de Piscos, Vale de Cabrões).
A arte rupestre do Côa continua para além do Pleistoceno. Mais escassa, a arte da Pré-história Recente distingue-se da precedente por uma crescente esquematização e antropomorfização, bem como um aumento da pintura a vermelho (Baptista, 1999; Luís, 2009b) (Faia, Ribeirinha, Ribeira de Piscos). O segundo grande momento artístico do Vale do Côa data da 2ª Idade do Ferro, com um notável conjunto de representações, localizada sobretudo na confluência do Côa com o Douro, baseadas na gravura linear de figuras humanas masculinas, por vezes com cabeça de pássaro, armadas, associadas a cavalos, cães, veados e uma inscrição de tipo celtibérico (Meijapão, Fonte Frieira, Vermelhosa, Vale da Casa) (Baptista, 1999; Luís, 2009a). Regista-se finalmente um relevante conjunto de representações históricas, relacionadas sobretudo com a actividade da moagem no fundo do vale, marcadas pela religiosidade e uma visão ingénua do quotidiano (García Díez e Luís, 2003).
Trata-se do maior conjunto de arte paleolítica ao ar livre do mundo, cuja descoberta definiu o terceiro grande marco na história da investigação da arte paleolítica, após o reconhecimento da arte móvel durante o século XIX e da parietal, através da validação das pinturas de Altamira em inícios do XX.
Luís Luís
Parque Arqueológico do Vale do Côa, Julho de 2011

Images

Bibliografia

Título

Arte rupestre do Vale do Coa. 1. Canada do Inferno. Primeiras impressões.

Local

-

Data

-

Autor(es)

GOMES, Mário Varela, BAPTISTA, António Martinho

Título

No tempo sem tempo. A arte dos caçadores paleolíticos do Vale do Côa. Com uma perspectiva dos ciclos rupestres pós-glaciares

Local

Vila Nova de Foz Côa

Data

1999

Autor(es)

BAPTISTA, António Martinho

Título

Arte rupestre e Pré-história do Vale do Côa. Trabalhos de 1995-1996

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

ZILHÃO, João

Título

O paradigma perdido: O Vale do Côa e a arte paleolítica de ar livre em Portugal

Local

Porto

Data

2009

Autor(es)

BAPTISTA, António Martinho

Título

«Patrimoine archéologique et politique dans la vallée du Côa au Portugal.», Les Nouvelles de l'Archéologie, n. 82:4.e trimestre, p. 47-52

Local

Paris

Data

2000

Autor(es)

LUIS, Luís

Título

«Per petras et per signos: A arte rupestre do Vale do Côa enquanto construtora do espaço na Proto-história», Lusitanos y vettones: Los pueblos prerromanos en la actual demarcación Beira Baixa - Alto Alentejo - Cáceres

Local

Cáceres

Data

2009

Autor(es)

LUIS, Luís

Título

«The Rock Art of the Côa Valley (Portugal) and its Archaeological Context: First Results of Current Research», Journal of European Archaeology, n. 5:1, p. 7-49

Local

Oxford

Data

1997

Autor(es)

GOMES, Mário Varela, ZILHÃO, João, AUBRY, Thierry Jean, BAPTISTA, António Martinho, CARVALHO, A. F., MEIRELES, J.

Título

200 séculos de história do Vale do Côa: Incursões na vida quotidiana dos caçadores-artistas do Paleolítico

Local

Lisboa

Data

2009

Autor(es)

AUBRY, Thierry Jean

Título

Portugal, Património Mundial - Objectos singulares, objectos universais

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

PEREIRA, Paulo, SANTANDREU, Roberto, NASCIMENTO, José Carlos