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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

CENTRALCER – Central de Cervejas

Designação

CENTRALCER – Central de Cervejas, S.A.

Localização

Estrada da Alfarrobeira, Cocheses

Freguesia / Concelho / Distrito

Vialonga / Vila Fraca de Xira / Lisboa

Função

Indústria de Fermentação - cervejeira: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto de 1966

  • Edifício administrativo e social / Foto: DE/ IPPAR

  • Área do fabrico da cerveja / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autores: Gabinete de Projectos J. Talone - unidade fabril
Gefel - Gabinete de Estudos e Empreendimentos Técnicos, SARL/ Arqsº João Caetano e António Abrantes - edifício dos serviços administrativos e sociais

Encetando uma nova época empresarial a Centralcer – indústria de cerveja e refrigerantes – renova-se, também, pela opção por um singular e inovador programa arquitectónico sustentado num diálogo formal – funcional – espacial entre as distintas três áreas funcionais - fábrica de malte; fabricação, engarrafamento e expedição; serviços administrativos e sociais.

  • Painéis pré-fabricados de Eduardo Nery / Foto: DE/ IPPAR

  • Área da malteria / Foto: DE/ IPPAR

Devido a exigências programáticas específicas, muitas dependentes da intrínseca necessidade funcional, os edifícios dispõem-se numa lógica correspondente às fases de produção. De forte presença formal, o primeiro grupo funcional prende-se, fundamentalmente, com o armazenamento de cereais (silos) e o respectivo fabrico de malte, que lentamente germina, em condições óptimas, em fechadas caixas de betão. Não será, por isso, de estranhar que este conjunto se codifique com volumes fechados, quase selados, salientados pela sua verticalidade. A outra área, mais extensa, compõe o corpo central, que além de laboratórios, espaços conexos de ensilagem de cerveja, contém um enorme vão onde se processa automaticamente todas as fases de enchimento, de embalagem e preparação para expedição, lembrando linhas de montagem de automóveis. É também neste corpo que se insere o quadrilátero volume em vidro, despojadamente exposto ao exterior, onde se encontram as caldeiras em cobre da cozedura da cerveja, mantidas num ambiente acético. As ligações entre todas as diferentes áreas processam-se ou através de passarelas ou de amplos espaços envidraçados. O terceiro grupo edificado, da autoria do gabinete GEFEL, encerra o programa administrativo e social, integrando o refeitório que se abre em extenso envidraçado para todo o espaço arbóreo, localizado no seu tardoz, e o auditório.

Adaptado à morfologia do terreno, o partido arquitectónico explorou, notavelmente, uma indissociável simbiose entre o conceito de produtividade higienista de Novecentos e uma modernidade estética e construtiva, conferindo a este conjunto industrial uma unidade indiscutível, apreendida nas volumetrias diferenciadas dos vários corpos esbatidos por uma implantação marcadamente horizontal e longitudinal, orientada à auto-estrada do Norte. A relação intencional de diálogo com o transeunte é sobejamente assumida - pelo acabamento em betão claro - escuro das fachadas da malteria (Eduardo Nery), cuja verticalidade é submetida à horizontalidade destas faixas, - pela decoração geometrizante (Eduardo Nery) utilizada em painéis pré-fabricados de zinco na área do enchimento – pelas amplas soluções envidraçadas utilizadas na principal secção de fabrico, que transmite equilíbrio, limpeza e transparência.

A inovação desta racional organicidade insere-se num quadro mais vasto da valorização de uma imagem industrial cenograficamente pensada, incorporando estímulos psicológicos tão caros à publicidade e ao consumo.


Deolinda Folgado / Docomomo Ibérico
Junho 2002


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