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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

Tapada do Outeiro

Designação

Tapada do Outeiro

Freguesia / Concelho / Distrito

Medas / Gondomar / Porto

Função

Indústria Energética: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto de 1955 e construção entre 1955-67

  • Termoeléctrica – pormenor / Foto: José Carlos Loureiro

  • Termoeléctrica – vista geral / Foto: José Carlos Loureiro

Caracterização

Autores: Arqº Carlos Loureiro
Engsº Ilídio Mariz Simões (parte técnica das caldeiras), Joaquim Sarmento (betão armado) e Campos e Matos (estrutura metálica)

Superfície extensa, marcante na paisagem pelo próprio cromatismo do tijolo que a reveste, a Central Termoeléctrica da Tapada do Outeiro foi edificada na sequência da constituição da Empresa Termoeléctrica Portuguesa S.A.R.L., em 1954, de modo a assegurar a plena cobertura dos crescentes consumos impostos pela industrialização e desenvolvimento socio-económico do país, constituindo-se, simultaneamente, forma de valorização dos combustíveis nacionais, nomeadamente os carvões pobres da bacia carbonífera duriense.

Explorando a ideia de uma monumentalidade técnica e industrial, a central dispõe-se organicamente sobre a margem direita do rio Douro, acompanhando o movimento do seu declive e articulando o programa entre três volumes de configuração prismática, que embora forçados pela lógica da sua funcionalidade, transcendem qualquer intuito redutor da ideia de “função”.

O conjunto é protagonizado pelo corpo da casa das caldeiras, que emerge expressivamente quer pela sua escala, quer pela plasticidade da superfície das suas fachadas de tijolo, pautadas por faixas horizontais de betão e perfuradas com estreitas fenestrações verticais dispostas alternadamente. Um corpo intermédio funciona como receptáculo porticado que recobre as estruturas dos três grupos de geradores, ligando-se ao edifício de comando e escritórios por meio de dois passadiços metálicos. Este último, formalmente singular, avança suspenso em consola, confirmando as inúmeras potencialidades construtivas do betão armado e a penetração dos valores internacionais, claramente manifestos no amplo rasgamento, exposto ao rio e recoberto por uma membrana de brise-soleil pivotados, que ocupa os dois pisos em toda a sua extensão. Um corpo vertical transparente numa das faces, exibe os acessos, enfatizando a estrutura da escada como elemento de composição plástica e marcação da entrada, que tende a prolongar as pesquisas já fixadas por Carlos Loureiro no emblemático edifício Parnaso, ressalvando a qualificada ruptura operada pela geração que trabalhou durante os anos 50.


Rute Figueiredo/ Docomomo Ibérico
Junho 2002


Classificação

Sem protecção