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Museums and Monuments 04/05/2021

Credenciação do Museu dos Terceiros, do Museu Municipal de Vidigueira e do Museu de Neorealismo e Consequente Integração na Rede Portuguesa de Museus

Foi hoje publicado em Diário da República o Despacho n.º 3533/2021, do Gabinete da Ministra da Cultura, que aprova a credenciação, no âmbito da Rede Portuguesa de Museus, do Museu dos Terceiros, em Ponte de Lima, do Museu Municipal de Vidigueira e do Museu de Neorrealismo, em Vila Franca de Xira.

A Rede Portuguesa dos Museus passa assim a integrar 159 museus.

Diversos entre si, na natureza das tutelas, tipologia, públicos e dimensão, tal como o universo da própria Rede, estes três museus têm em comum o exercício rigoroso e com qualidade das funções museológicas previstas na Lei Quadro dos Museus Portugueses, apresentando um trabalho de grande relevo na promoção do acesso à cultura e enriquecimento do património cultural.

Museu dos Terceiros, tutelado pela Câmara Municipal de Ponte de Lima / Instituto Limiano – Museu dos Terceiros, tem por vocação o estudo, salvaguarda e valorização de todos os valores culturais do Município de Ponte de Lima, concretamente das obras de arte sacra. O seu acervo é constituído, na sua quase totalidade, por obras de arte sacra dos séculos XVII e XVIII.

O Museu dos Terceiros destaca-se não só pela importância histórica e artística das suas coleções, como também pela riqueza do conjunto arquitetónico em que está instalado, formado pela Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (sagrada em 1747) e pela parte remanescente do Convento de Santo António dos Frades (fundado em 1481, com importante campanha datada de 1630).

Uma parceria entre a Câmara Municipal de Ponte de Lima e o Instituto Limiano – Museu dos Terceiros, em 2002, proporcionou a recuperação e adaptação museológica dos edifícios e o restauro de um dos mais importantes acervos de arte sacra do Norte do país.

Ao longo das duas últimas décadas, tem sido feito um importante e consistente trabalho museológico no sentido do cumprimento do desafio inicial que está expresso na missão e objetivos do Museu dos Terceiros: a consolidação de um Museu de Arte Sacra que seja representativo da região.

Museu Municipal de Vidigueira, tutelado pela Câmara Municipal de Vidigueira, tem como traço identitário o aproveitamento de um edifício histórico emblemático no concelho, a antiga Escola Primária Vasco da Gama, que funcionou por mais de um século, entre 1883 e 1991, e a recolha de um conjunto de peças representativas de um passado relativamente recente, cujo processo contou com a participação ativa da comunidade envolvente através de doações e relatos de histórias de vida, permitindo uma abordagem museológica da memória identificativa dos vidigueirenses desde o final do século XIX até aos anos 30-40 do século seguinte.

De abrangência local, retrata uma realidade comum ao Baixo Alentejo, a partir da história do próprio edifício, através do qual se procura abordar a infância, a vida escolar e familiar dos seus antigos alunos, até à sociedade rural vidigueirense da primeira metade do século XX, nos seus múltiplos aspetos: económico, social e cultural.

Inicialmente vocacionado para a etno-história recente, o Museu Municipal de Vidigueira passou a integrar a Arqueologia nas suas áreas temáticas, tendo a sua equipa elaborado a Carta Arqueológica do Concelho. O projeto Património Cultural Imaterial - Estórias com muita História, iniciado em 2016, é outro interessante trabalho desenvolvido pelo museu. Tendo como principal objetivo a recolha, classificação, inventariação, estudo, salvaguarda e divulgação de expressões do domínio etnográfico e antropológico, do “saber fazer”, das artes e ofícios, da literatura tradicional, das práticas performativas e doutros fenómenos culturais imateriais individuais e coletivos, esta “ação local” pretende desenvolver o sentido comunitário, valorizar a singularidade de cada grupo e a diversidade cultural e, no atual contexto da sociedade global, defender a cultura regional e o diálogo intercultural.

Saliente-se ainda a pertença do Museu Municipal de Vidigueira à Rede de Museus do Baixo Alentejo/ Rede de Museus do Distrito de Beja.
 

Museu do Neo-Realismo, tutelado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, é resultado de um processo longo e complexo. A sua origem remonta a 1969, ano da morte do escritor vila-franquense António Alves Redol, quando surgiu a intenção de se fundar uma Casa-Museu Alves Redol. A história do Museu é assim indissociável da figura do escritor, estando a sua génese diretamente relacionada com o desaparecimento deste que foi considerado um dos expoentes máximos do neorrealismo português.

Formalmente criado em 1988 pela Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo - com o forte apoio institucional e financeiro da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira -, abriu ao público em 1990 com a exposição permanente Entre a Realidade e a Utopia – o Movimento Neo-Realista. A coleção de Espólios começou a ser constituída em 1991, com a doação do espólio literário de Manuel da Fonseca. O Museu cedo enriqueceu e diversificou o seu património, com destaque para a doação do espólio artístico de José Dias Coelho, de outros espólios literários e editoriais, arquivos documentais, obras de arte e bibliotecas particulares.

Em 2003 foi aprovado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira o projeto de construção de um edifício de raiz, de autoria do Arquiteto Alcino Soutinho, para funcionar como Museu do Neo-Realismo. Inaugurado a 20 outubro de 2007, o edifício conta com cinco pisos, incluindo cinco espaços destinados a exposições temporárias e de longa duração, um auditório, áreas de reserva, uma biblioteca especializada, uma cafetaria e uma livraria.

O Museu do Neo-Realismo assume uma vocação de âmbito nacional centrada na incorporação, documentação, estudo, preservação, valorização e divulgação de coleções documentais e artísticas ligadas ao movimento neorrealista português. Desenvolve uma prática continuada de investigação em torno do seu acervo nas áreas disciplinares da Literatura, Arte, História, História da Arte, História Social, Filosofia, Música, Fotografia e Cinema, apostando em conteúdos programáticos de estímulo ao pensamento crítico, à amplitude interpretativa e à promoção da cidadania. Realiza exposições a par da edição de catálogos, sessões em auditório, atividades educativas destinadas a diversos públicos e disponibiliza a consulta de obras da Biblioteca/Centro de Documentação, incluindo serviço de referência e apoio à investigação.

O alinhamento com a vocação inicial, o cumprimento dos objetivos estipulados e o respeito pelos valores definidos para a instituição: responsabilidade social, respeito pelo legado cultural, valorização profissional da equipa, igualdade e imparcialidade no acesso e tratamento de todos, incluindo os cidadãos com deficiência física e/ou intelectual e independentemente de questões de género, condição social, política, étnica ou religiosa, conferem ao Museu do Neo-Realismo um papel social muito significativo.

A candidatura à credenciação toma forma num momento peculiar da história do MNR, em que se procede à substituição da icónica exposição de longa duração “Batalha pelo Conteúdo - O Movimento Neo-Realista Português”, de curadoria de António Mota Redol e David Santos, inaugurada a 20 de outubro de 2007 e parcialmente encerrada no passado mês de maio. Este é de facto um momento de viragem para o Museu, em que se repensam os moldes da Programação Museológica e se concebe e concretiza um novo Projeto Expositivo, “Representações do Povo”, da responsabilidade de Raquel Henriques da Silva, Historiadora de Arte e Professora Associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, desde fevereiro de 2018, Diretora Científica do Museu.

A integração do Museu do Neo-Realismo na Rede Portuguesa de Museus sublinhará o seu lugar como museu de referência no contexto museológico nacional. A sua dinâmica - devida ao empenho continuado da tutela autárquica -, refletida na investigação e produção de conteúdos, na rotatividade expositiva e na oferta cultural, soma-se à consistência da equipa técnica, à coerência programática e à qualidade das instalações.