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Exhibitions Patente ao público

Exposição LUCIUS CORNELIUS BOCCHUS – Um Lusitano Universal

Inaugura no dia 10 de setembro, às 17h00, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa a exposição LUCIUS CORNELIUS BOCCHUS – Um Lusitano Universal.

No âmbito da Programação Mostra Espanha 2019.

 

Lucius Cornelius Bocchus é um cidadão romano nascido na Lusitânia, pertencente a uma família muito representada na epigrafia de Salacia (Alcácer do Sal), aceitando-se que aquela ali se tenha fixado no final da República / início do Império. Foi homenageado em várias cidades.

Algumas inscrições, identificadas em centros urbanos na antiga província da Lusitânia romana e mesmo em outros pontos do Império, apresentam idêntico apelido Bocchus, mas nomeiam diferentes ascendentes paternos, referindo-se, pois, a mais do que um indivíduo.

Lucius Cornelius Bocchus é necessariamente uma figura proeminente na elite social, na economia e no governo de algumas das principais cidades da província, mas também na capital desta, Augusta Emerita (Mérida), na primeira metade do século I d. C..

A administração das cidades homenageou-o (e ele fez-se homenagear, também), reconhecendo assim, através de inscrições, o mecenas, o evérgeta, o patrono. Esta “troca”, nesta época, era muito habitual, e consistia na retribuição face a um ato de munificência cívica (generosidade cívica), pois cidadãos abastados como este salaciense financiavam a construção de infraestruturas, edifícios públicos, civis ou religiosos nas cidades, como, por exemplo, a renovação de um teatro ou a construção de um templo. Foi certamente este o caso em Olisipo e em Mérida.

Mediante este exemplo concreto - Lucius Cornelius Bocchus e a sua gens (família) – evocamos a vida dos personagens que integravam as oligarquias lusitanas, com fortes interesses económicos, e que interagiam com os responsáveis político-militares na capital da província – Augusta Emerita – e mesmo na capital do Império - Roma.

Estes oligarcas da Lusitânia, e as clientelas que formavam, fundam o seu poder económico em negócios muito rentáveis: a mineração (ouro, prata, cobre e estanho), a produção e exportação dos preparados de peixe ou a “marmorização” das cidades, para o que a exploração do mármore do anticlinal de Borba-Estremoz é determinante, assumindo o comércio deste um papel de destaque na capital da província e na rede de novas cidades construídas, ou renovadas, a partir da viragem da era na fachada atlântica do Império.

A origem da família em Salacia – localizada no eixo Augusta Emerita/Olisipo -, bem como a proximidade de importantes centros relevantes na economia da Lusitânia, como Tróia ou as pedreiras de exportação de mármore de Borba/Estremoz, no caminho entre capital e porto da província, são aspetos necessariamente relacionados.

Este exercício demonstra como a Lusitânia, que marca a fronteira entre a terra sabida e o oceano desconhecido, assumirá um papel de relevo na geopolítica da construção do Império, aproximando-a, e aos seus naturais, indelevelmente, de Roma.

Sabe-se ainda que um Bocchus (eventualmente o que é referido na inscrição de Lisboa, ou em ambas) seria o reconhecido literato lusitano e autor, citado por Plínio-o-Velho (23/24 – 79 d. C.) na História Natural e por Macróbio (prefeito pretoriano de Itália em 430 d. C.) nas Saturnais.

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Entendeu o Museu Nacional de Arqueologia, no âmbito da sua programação Mostra Espanha 2019, organizar, conjuntamente com o Centro de Arqueologia de Lisboa da Câmara Municipal de Lisboa, o Museo Nacional de Arte Romano e o Consórcio Ciudad Monumental de Mérida, esta exposição, para que se conheça melhor o legado romano – nossa cultura e património comuns.

Afortunadamente, o Centro de Arqueologia de Lisboa resgatou definitivamente das Termas dos Cássios, na Rua das Pedras Negras, onde se encontrava num lugar de dificílimo acesso, a afamada inscrição de Lisboa, descoberta por A. M. Dias Diogo, e que nunca fora apresentada publicamente. Até agora.

A reunião desta com a inscrição de Bocchus de Mérida é, portanto, um acontecimento inédito, especial e com valor simbólico, pois juntamos a epigrafia da capital da província e da capital atlântica, também porto de mar desta.

Esta apresentação na galeria nascente do Museu Nacional de Arqueologia, ocupada pela exposição “Religiões da Lusitânia. Luquuntor Saxa”, é um lembrete para que não se perca a ideia de uma necessária e desejada renovação daquela no quadro da unanimemente ambicionada reprogramação do Museu Nacional de Arqueologia.

Os promotores desta exposição agradecem reconhecidos a João Luís Cardoso, da Academia Portuguesa da História (Lisboa) e Martín Almagro-Gorbea, da Real Academia de la Historia (Madrid) que organizaram o colóquio dedicado a “Lucius Cornelius Bocchus: Escritor Lusitano da Idade de Prata da Literatura Latina” e editaram em 2011 um volume com as respetivas atas.

Para saber mais

Organization:
MNA/DGPC
Local:
Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa
References